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Seqüência Didática

Planeta Sustentável

Geografia, História, Ciências Naturais

Tragédia na África

Examine com seus alunos as múltiplas dimensões dos choques em Darfur e suas conseqüências
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Ano
8° e 9° anos

Conteúdos
África contemporânea e aquecimento global

Habilidades
Compreender e discutir os conflitos armados em Darfur e seus efeitos ambientais

Tempo estimado
Duas aulas de 50 minutos

Recursos didáticos
Mapas da região africana e computadores com acesso à internet

A reportagem sobre o conflito em Darfur, na África, publicada na revista Claudia, revela a tragédia que começou em 2003 na província sudanesa, além de servir como um excelente ponto de partida para que os alunos percebam que eventos históricos, como os choques armados numa determinada região, não têm uma causa única, e sim múltiplas dimensões entrelaçadas.


Atividades
1ª aula Depois de lido o texto, localize com a turma, num mapa da África, as regiões e os países mencionados na reportagem. Chame a atenção para a grande faixa correspondente ao deserto do Saara, uma área maior do que o Brasil, com mais de nove milhões de quilômetros quadrados. Conte que o Saara divide o continente em duas partes, o Norte da África e a África Subsaariana. O Sudão está logo abaixo, entre as duas porções, numa fronteira móvel: como informa a revista, o deserto "avança por áreas de cultivo e reduz dramaticamente o acesso à água". Isso significa que o conflito em Darfur está associado ao processo de desertificação. Os homens têm responsabilidade direta no resultado, pois a agropecuária intensiva, a mineração e o desmatamento desordenados contribuem para a transformação de áreas relativamente férteis em desertos. Vale a pena pesquisar o fenômeno, que ocorre em mais de cem países, entre eles, o Brasil. Lembre que o aquecimento global agrava esse quadro: como observou o secretário-geral da ONU, "a violência em Darfur explode na seca".



2ª aula Além do aspecto geográfico da desertificação, a tragédia de Darfur sofre a influência de aspectos históricos e étnicos. Um deles é a existência, no Sudão, de populações árabes e de outras origens, muçulmanas e não-muçulmanas. A revista informa que os choques em Darfur ocorrem entre muçulmanos. No entanto, os janjaweeds, guerreiros a cavalo que espalham o terror em Darfur, são recrutados nas tribos árabes, adestrados em décadas de luta contra os não-muçulmanos. Proponha o exame desse conflito que por meio século dilacerou o país.

Para orientar a pesquisa, informe que no Sudão existe uma nítida separação entre as partes norte e sul do território. Nas áreas setentrionais, predominantemente muçulmanas, existem grupos que se consideram "árabes" (embora muitos tenham antepassados africanos). O sul é a terra dos "africanos", isto é, dos negros. Divide-se entre populações animistas, que mantêm crenças tradicionais, e cristãs, ligadas culturalmente aos etíopes. A guerra civil teve início com a independência do país, em 1956, e prosseguiu até 1972, quando foi assinado um cessar-fogo. Em 1983, porém, o governo sudanês modificou os códigos legais para harmonizá-los com a lei islâmica, e a luta recomeçou. Finalmente, em 2007, foi assinado um tratado de paz e formado um governo de união nacional. O preço do conflito foi terrível: os massacres e a fome causaram mais de dois milhões de mortes e um número ainda maior de refugiados.

Conte que as perspectivas de paz no sul do Sudão começaram a se reanimar no ano 2000, quando se iniciou a exploração das reservas petrolíferas da região.

Um bom tema para debate: a existência de petróleo em Darfur pode contribuir para o fim dos massacres, ou é mais um fator que desperta a cobiça da elite "árabe"? A discussão vai mostrar que os aspectos econômicos de um evento histórico não podem ser considerados isoladamente, e sim em seu entrelaçamento com fatores étnicos, políticos e culturais.

Para terminar, peça que os alunos criem um quadro registrando a reação dos países mencionados no texto diante dos conflitos sudaneses. Acrescente um elemento: a Etiópia apoiou os rebeldes do sul, assim como o Chade sustenta os rebeldes de Darfur. Até mesmo a França, na Europa, e Israel, na Ásia, estão ligados de alguma forma ao drama africano. A atividade vai deixar evidente que todo país se relaciona, positiva ou negativamente, com seus vizinhos e mesmo com Estados distantes.

Quer saber mais?

Internet
Sand and Sorrow, documentário da HBO narrado por George Clooney, que mostra a tragédia nos campos de refugiados, a supremacia árabe e o fracasso das organizações em chegar a tempo de salvar as vítimas do massacre. (em inglês)

Not On Our Watch Foundation Fundação criada pelos astros Brad Pitt, George Clooney, Don Cheadle, Jerry Weintraub e Matt Damon, a Not On Our Watch (Não sob os Nossos Olhos) arrecada fundos para os refugiados, como aconteceu no festival de cinema de Cannes, em maio de 2007, quando a ONG levantou nove milhões de dólares para ajudar as vítimas do conflito. (em inglês)

Entenda a crise em Darfur reportagem da BBC mais notícias relacionadas.

Darfur, a crise explicada Especial UOL.

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