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Seqüência Didática

Planeta Sustentável

Geografia

Os males das cidades têm cura

Acompanhe com a garotada alguns projetos vitoriosos de revitalização do espaço urbano
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Conteúdos
Urbanismo

Habilidade
Perceber o alcance e os efeitos de intervenções na paisagem urbana

Tempo estimado
Três aulas de 50 minutos

Ano
6º ao 9º ano

Seus alunos já perceberam que as cidades podem ser consideradas organismos vivos? Ruas, praças e bairros também envelhecem, se deterioram e precisam, de vez em quando, de uma mudança de usos e funções. O arquiteto Jaime Lerner, duas vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Paraná, chama essas intervenções de acupuntura urbana. É esse, inclusive, o título de seu livro que descreve experiências bem-sucedidas no setor. No caso, as “agulhas” foram a implantação de um ágil sistema de transporte coletivo e de calçadões para pedestres. A reportagem de CASA CLAUDIA inspira debates e, se for o caso, uma proposta de revitalização do seu bairro!

Atividades
1ª aula — Após a leitura da reportagem, comente que várias cidades importantes ao redor do globo já sofreram intervenções com o objetivo de modificar e reconstruir elementos da infra-estrutura, do sistema viário, edifícios, praças etc. Lisboa, a capital portuguesa, foi remodelada depois que um terremoto avassalador destruiu sua região central no século XVIII. O marquês de Pombal, então ministro responsável pela reestruturação, valeu-se da oportunidade para testar soluções que seriam mais tarde aplicadas nas colônias lusitanas — incluindo o Brasil —, caso do sistema de chafarizes, das praças regulares e das fachadas contínuas.

Acrescente que nosso país vem assistindo hoje a sucessivas intervenções revitalizadoras do espaço urbano. Além dos projetos de Lerner em Curitiba, vale mencionar a construção do Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, que transformou galpões próximos ao antigo porto num complexo cultural, e a reurbanização do Pelourinho, no centro histórico de Salvador. Outros bons exemplos são a reformulação de áreas do Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos e a implantação de uma sede do Museu Guggenheim na região do porto carioca.

Lembre que ainda será necessária muita inspiração e transpiração para recuperar a saúde urbana de nossas metrópoles ou dos pequenos núcleos esvaziados pelas migrações e pela pobreza. Até agora, na esfera nacional, foram citadas apenas intervenções em capitais. Sua cidade figura entre elas? Alguém da classe se recorda de áreas que estejam deterioradas, com casas descuidadas e abandonadas, ruas sujas, ocupadas por mendigos ou marginais? Debata as causas dessa situação e os eventuais caminhos para renovar tais lugares.

Reforce duas idéias: a primeira é de que os vários espaços urbanos sofrem transformações constantes por causa de inúmeros fatores de ordem socioeconômica, como eventos artísticos, comerciais e esportivos. Até cataclismas naturais (terremotos, inundações etc.) entram na lista. A segunda noção é de que a tal acupuntura urbana pode ser bem-sucedida, isto é, as cidades têm cura.

2ª aula — Consulte um guia de ruas do bairro onde se localiza sua escola. Selecione uma praça ou rua que sirva de tema para uma proposta de revitalização. Escolha um lugar com nítidos problemas urbanos, mas que seja próximo e seguro para uma visita com a moçada. Procure ler sobre a história do bairro e do local escolhido, pesquise fotos antigas ou qualquer outro material de apoio. Amplie o mapa da região, providencie cópias bem legíveis e distribua aos alunos, organizados em grupos. Peça que cada equipe arrume papel para desenho e notas, lápis, máquinas fotográficas, gravadores portáteis, fitas métricas ou trenas.

Sugira, então, um exercício divertido, excitante e desafiador: pensar coletivamente a reestruturação da área. Munidos do equipamento previamente combinado, os estudantes vão fazer observações no local, conversar com os moradores e freqüentadores sobre os prós e contras do entorno, registrar a presença de bancos, árvores, placas, edifícios (e seus usos), iluminação, latas de lixo, sinalização, equipamentos como caixas de correio e paradas de ônibus — enfim, tudo o que for interessante.

3ª aula — Com todo o material resultante da pesquisa de campo, volte à sala de aula e converse sobre a história e as mudanças que ocorreram na área pesquisada ao longo do tempo. Identifique com os grupos os principais problemas anotados e convide-os a indicar soluções. Pode ser um novo uso para um galpão abandonado — que tal transformá-lo em biblioteca, cinema ou quadra esportiva? Também vale propor mudanças no traçado das ruas e no desenho das calçadas, criar equipamentos urbanos diferentes, desenhar sinalização mais chamativa e eficiente, reivindicar a construção de portais temáticos ou monumentos, plantar árvores...

No final, peça que um relator de cada equipe exponha seu projeto. Com base nessas apresentações, pergunte que soluções são mais bacanas e viáveis. Dependendo do resultado, por que não enviar as idéias para a administração municipal?

Para ir mais longe
Se houver interesse, encomende um estudo sobre as intervenções urbanas citadas neste plano de aula e na reportagem de CASA CLAUDIA. As "agulhadas" que fizeram de Curitiba um modelo urbanístico são um bom ponto de partida. Organize com a garotada um mural sobre o assunto.

Para seus alunos

As “agulhas” de Curitiba

Aplicada pelo ex-prefeito e arquiteto Jaime Lerner, a "acupuntura urbana" na capital paranaense abrangeu iniciativas como a multiplicação das áreas verdes, a implantação de um sistema de transporte coletivo dinâmico e da coleta seletiva de lixo e a recuperação do Largo da Ordem, coração do núcleo histórico da cidade e sede de uma famosa feira popular. Também foram criados calçadões para pedestres no entorno da rua das Flores (ou rua 15 de Novembro), além da rua 24 horas, de comércio aberto dia e noite. Tudo isso fez de Curitiba uma cidade-cenário — às vezes um tanto falsa, diga-se — que se tornou modelo de planejamento urbano e qualidade de vida.

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Para seus alunos

Os portos, o museu e o dragão

A implantação de uma sede do Museu Guggenheim está entre os projetos de revitalização econômica, imobiliária e cultural da região do porto do Rio de Janeiro e dos trechos próximos, no centro da capital fluminense. Por sua vez, em Fortaleza, a implantação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com dois cinemas, museus, um teatro e um planetário, entre outros equipamentos, trouxe novo dinamismo à área portuária.

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Consultoria: Marco Pasqualini de Andrade

Professor do Departamento de Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia (MG)

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