
O plano desta página foi baseado na(s) seguinte(s) reportagem(ns):
25/04/2007
Ano
8º e 9º anos
Conteúdos
Polinizadores, pragas e desequilíbrio ambiental
Habilidade
Perceber os riscos da interferência humana no equilíbrio ambiental
Tempo estimado
Três aulas de 50 minutos
Introdução
As colméias nos Estados Unidos e em diversos países europeus estão se esvaziando inexplicavelmente, a reportagem de VEJA informa. O impacto econômico do sumiço das abelhas é enorme, uma vez que, além de produzirem mel, esses insetos são fundamentais à polinização de aproximadamente 90 tipos de frutas e legumes, cujas colheitas estão avaliadas em quase 15 bilhões de dólares por ano apenas em território americano.
As causas do desaparecimento ainda são uma incógnita para os pesquisadores, que investigam as mais diversas hipóteses: até as ondas de transmissão de celulares estão na lista dos suspeitos. Seja como for, a desordem de colapso de colônias (CCD), como o fenômeno foi designado, é um indício de perturbações ambientais. Um alerta a ser estudado não só pelos pesquisadores, mas também por seus alunos.
Ricardo Hantschel
[img1]Robert Wharton/NCF/Divulgação
[img2]Alexandre Campbell
[img3]Interações ambientais
A abelha-africana durante a polinização (no alto), a vespa (centro) e sua presa natural, a mosca-das-frutas (acima), praga que ataca as lavouras de goiaba em São Paulo
Atividades
1ª aula Converse sobre a importância econômica das abelhas. Lembre que o mel faz bem à saúde, é apreciado há milênios (descobertas arqueológicas identificaram no Egito jarros com o produto datados de 2500 a.C.) e seu comércio hoje movimenta bilhões de dólares e emprega muita gente. Para os estudantes terem uma idéia, conte que o Brasil produz cerca de 20000 toneladas de mel por ano, o equivalente à média mensal da China, maior produtor e exportador mundial.
Em seguida, explique que os insetos são o maior grupo de animais do planeta, com mais ou menos 1,2 milhão de espécies catalogadas aproximadamente 70% do total. Discuta a importância daqueles que participam do processo de polinização.
Recorde que, após a transferência do pólen, gameta masculino da flor, para o óvulo da mesma flor ou de outra da mesma espécie, ocorre a formação dos frutos. Os insetos constituem boa parte do volume de agentes polinizadores, que transportam o pólen.
Nas plantações de laranja e o limão, por exemplo, a polinização é feita predominantemente por abelhas. Muito comum é a associação de agricultores e apicultores: os primeiros têm suas árvores polinizadas pelas abelhas e os últimos lucram com a produção do mel. Deixe claro que o benefício que as abelhas trazem às plantas não resulta de um esforço consciente de cooperação. É decorrência da procura por alimento e do trabalho de manutenção da colméia. Lance um tema para debate: se o sumiço noticiado por VEJA for definitivo, quais serão as conseqüências para a agricultura intensiva de nossos dias?
2ª aula Proponha o exame de algumas hipóteses investigadas para explicar o desaparecimento das abelhas. Uma delas é a contaminação desses invertebrados por pesticidas que provocam danos neurológicos e alteram seu refinado sentido de orientação. Conte que algo semelhante ocorreu na França, na década de 1990, acarretando a proibição de determinados inseticidas. Também se investiga a atuação de parasitas protozoários, ácaros e bactérias trazem grandes prejuízos às colméias, matando principalmente larvas e a possibilidade de lavouras transgênicas ou até mesmo o aquecimento global estarem causando danos à fisiologia desses insetos tão sensíveis. Ressalte que nenhuma das hipóteses está confirmada, mas os laços entre várias delas e a intervenção do homem são preocupantes.
Organize a classe em grupos, distribua cópias do quadro abaixo e oriente a realização da atividade solicitada.
3ª aula Informe que, além dos gafanhotos, muitos insetos podem causar enormes prejuízos às plantações. São conhecidos como pragas. Como já vimos, uma das hipóteses para o desaparecimento das abelhas é o uso descontrolado de inseticidas em lavouras, com o objetivo de combater as pragas agrícolas. Exponha o problema para a turma: como enfrentá-las sem causar desequilíbrios irremediáveis no ambiente? Talvez alguém proponha controles biológicos, como a introdução de predadores naturais que exterminem o mal sem contaminar ou prejudicar as plantas. Alimente a discussão com o exemplo de uma vespinha introduzida em plantações de frutas cítricas no estado de São Paulo para combater a mosca-da-fruta, responsável por perdas de até 25% da produção. A vespa põe seus ovos na pupa da mosca, que serve de alimento para a larva da vespa.
Outra forma de controle biológico consiste em esterilizar a praga geralmente com uso da radiação de cobalto e liberar os insetos estéreis no ambiente. Assim, ao acasalar, eles não geram descendentes, diminuindo ou erradicando a espécie.
Pode-se, ainda, usar armadilhas de feromônios, substância odorizante emitida pelas fêmeas de insetos para atrair os machos. Esses morrem ao ficar presos a uma superfície colante da armadilha. Com isso, a população da espécie tende a minguar.
Apresente alguns pontos para reflexão e debate. O primeiro é que, como agentes polinizadores ou pragas agrícolas, os insetos têm grande relevância econômica. Mas o foco de seu estudo não se deve distanciar da importância ecológica desses animais. Rotulá-los de úteis ou nocivos é fazer a natureza girar em torno do homem.
O segundo ponto dá conta de que o desaparecimento de um animal tão fundamental quanto a abelha constitui um claro indício de desequilíbrio. Diga que pode ocorrer um efeito cascata: o delicado mutualismo (relação ecológica em que as espécies beneficiam umas às outras) entre plantas e abelhas polinizadoras é abalado com a diminuição do número desses insetos. A extinção local de uma espécie interfere diretamente na existência de outros seres. A gravidade do sumiço de uma espécie envolvida nesse tipo de relação aumenta na mesma proporção da especificidade do mutualismo.

Examine com seus colegas a impressionante fotografia reproduzida abaixo. Ela mostra um homem em meio a uma nuvem de gafanhotos que atingiu a ilha de Fuerteventura, no arquipélago das Canárias, em 29 de novembro de 2004.
Trata-se de um dos mais conhecidos flagelos biológicos: a investida de milhões de gafanhotos famintos é mencionada na Bíblia entre as pragas infligidas aos egípcios, que se recusavam a libertar do cativeiro os israelitas. Mais de 3200 anos depois do episódio do Êxodo conduzido por Moisés, nuvens de gafanhotos continuam a devastar as plantações, especialmente em países africanos e nas regiões vizinhas, como as ilhas Canárias. Realize pesquisas em grupo sobre as ocorrências mais recentes desse fenômeno.
Samuel Aranda/AFP
[img4]Professor de Meio Ambiente do Colégio Santa Cruz, de São Paulo
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